quarta-feira, 23 de novembro de 2011



Greve de coerência

JUREMIR MACHADO DA SILVA

A greve do magistério do Rio Grande do Sul é um caso de escola para se analisar as contradições da política. Ou dos políticos? Tenho certeza de que se estivesse sobrando muito dinheiro o governador Tarso Genro pagaria o Piso na hora. O problema é que só quatro estados brasileiros (Minas Gerais, Pará, Bahia e Rio Grande do Sul) não o pagam. E a Bahia garante que paga, sim. Como é que conseguem? Outro ponto é o tempo para preparação de aulas garantido pela nova lei: 17 estados não o respeitam. Mas, quanto ao salário, só três ou quatro. No "Esfera Pública", na Rádio Guaíba, o senador petista Paulo Paim botou o governo numa saia justa. Lembrou que durante a sua campanha, em 2010, fartou-se, assim como seus companheiros de partido, de atacar a governadora Yeda Crusius por não querer pagar o Piso. Como mudar de discurso agora? Como passar do duro "Yeda não paga porque quer" para o mole "Tarso não paga porque não pode?"

Sou testemunha de que Tarso Genro não prometeu pagar o Piso imediatamente. No mesmo "Esfera Pública", durante a campanha eleitoral, comprometeu-se a fazê-lo ao longo do seu mandato. Mas isso não poderia ser no apagar das luzes ou a conta ficaria para o governo seguinte, que poderá ser o dele mesmo ou de outro. A contradição volta: por que os petistas cobravam pagamento imediato de Yeda e querem pagar a médio ou longo prazo? A única explicação é a tradicional: uma coisa é ser oposição, outra é ser situação. Como diz o sábio, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O problema do governador Tarso Genro com os professores, sobre o Piso, é o que o seu partido disse antes, como opositor, sobre o mesmo assunto. Situação agravada pelo fato de que a maioria esmagadora dos estados brasileiros paga o Piso. Por fim, esperava-se que o Cpers fosse correia de transmissão do governo e desse mole nessa questão. Alguns criticavam o Cpers por antecipação. A surpresa está aí. Sem dó nem fidelidade.

Em linguagem dura, o Rio Grande do Sul está fora da lei. Paulo Paim foi mais longe: como aceitar que o seu office boy no Senado ganhe o dobro do Piso de um professor? A política está atolada em contradições. Cada partido tem o seu mensalão. Atacados, todos criticam o financiamento privado de campanha. Assim: dado que existe a necessidade de pedir dinheiro às empresas privadas, que fazem negócios com o Estado, é inevitável um troca-troca. Nalguns casos, empresas dão propinas para ter licitações aprovadas. Em outros, devolvem parte do orçamento superfaturado. Coro: só o financiamento público resolve.

Não será uma maneira de aproveitar o pepino para fazer uma boa limonada? Não ter mais de correr atrás de dinheiro para campanha? A impressão é de que toda afirmação de um político é estratégica: fortalecer seu interesse ou o do seu partido. O governo do Rio Grande do Sul parece só ter uma medida a tomar para acabar com a greve do magistério e sair da contradição: apresentar um cronograma de pagamento do Piso. E aprender uma lição: é preciso tomar cuidado com o que se diz. O último problema é que essa lei do Piso foi concebida por Tarso Genro. Se não pagar agora, vai ter custo nas eleições de 2012.

JUREMIR MACHADO DA SILVA é jornalista, escritor e professor

* Artigo publicado no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre (RS), em 22.11.11
A greve do magistério e o cobertor curto
Postado por Juremir em 21 de novembro de 2011 - Política
A greve do magistério e a corrupção são bons temas para quem quer aplicar o golpe do cobertor curto.
Se o CPERS faz greve, é radical e irresponsável.
Se não faz, é pelego.
Se o governo paga o piso, quer quebrar o Estado.
Se não paga, trai suas promessas de campanha.
A corrupção da direita raramente chama a atenção dos críticos da corrupção da esquerda.
O contrário também é verdadeiro.
O que está em jogo é ódio de parte de alguns ao PT.
O argumento é simples: O PT criticava todo mundo, julgava todo mundo.
Não fosse isso, estaria tudo bem.
Todos iguais.
O problema não é a corrupção, mas o fato de que o PT, em certo momento, bancou o superético e encheu o saco dos outros.
O problema, por outro lado, não é a corrupção, mas o último argumento possível para se vingar de um PT tornado, enfim, igual a todos.
O problema é o bolsa-família, o ProUni, os altos índices de aprovação do Lula, a faxina da Dilma, a estabilidade econômica, etc.
Falo assim só para provocar os que me acusam de ser petista.
Os petistas de carteirinha me acusam de ser de direita.
Não tenho partido.
Nenhum merece a minha adesão.
Sou anarquista.
Poeticamente libertário.
Rotineiramente analista de discursos e conteúdos.
Não tenho partido.
Mas poderia ser de qualquer um.
Não é crime pertencer a qualquer um dos partidos brasileiros.
Nem ao PT.
Como diz o outro, quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.
Pode o Dem, o PP ou o PSDB julgar o PT?
O problema do PT é ter dito que nunca faria o que fez.
A questão importante para o observador franco-atirador não é que um diz, mas o que todos fazem.
Bem, parece que o PSOL não pecou.
Eu poderia ser do PSOL.
Mas não sou marxista.
Aquele que odeia sempre quer aplicar o golpe do cobertor curto.
Se vê os pés, reclama da nudez da cabeça.
Se vê a cabeça, reclama da nudez dos pés.
Só quer um pretexto para exalar sua ideologia do ressentimento.
Normalmente como acusação ao ideologismo dos outros.
Ninguém mais ideológico do que aqueles que passam o tempo criticando as posturas ideológicas dos outros.
A direita brasileira inventou que não tem ideologia.
Só a esquerda seria ideológica.
Inventou também que qualquer concepção de esqueria seria atrasada.
A direita nem existira mais.
Só existiria a esquerda como um vestígio, um anacronismo.
Pura retórica ideológica.
Dito tudo isso, pois amanheci de bom humor, é preciso afirmar algo complexamente antagônico e complementar:
Os professores têm razão em fazer greve pelo piso.
Querem o cumprimento da lei.
Cobraram isso da governadora Yeda Crusius.
Cobram o mesmo do governador Tarso Genro.
O governo fala certamente a verdade quando diz que não pode pagar agora.
Com algum esforço, pode-se chegar ao entendimento.
Por exemplo, o governo marcar um data para o pagamento e encontrar meios para fazer isso.
Com jeito, sempre tem um jeito.
Bastaria, por exemplo, dar menos isenções fiscais a grandes empresas.
Fica uma pergunta: por que só quatro Estados não conseguem pagar o piso?

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Educadores colocam em xeque o papel dos tutores

Dois renomados educadores, João Mattar e José Manuel Moran, provocaram polêmica na tarde desta quarta, dia 1º de setembro, no 16º Ciaed, ao criticarem o atual papel desempenhado pelos tutores na maioria dos cursos EAD. “Vejam bem, eu não critico os tutores, e sim a forma como a tutoria é realizada nos dias atuais. O tutor é, na verdade, muito diminuído em sua importância e, até por isso mesmo, muito mal remunerado. Parece que ele é utilizado, sobretudo, para resolver o problema gerado pela massificação da oferta da EAD, isto é, livrar os professores de parte da sobrecarga de trabalho”, afirmou Moran.
Ao que Mattar concordou. “O tutor, pelo próprio termo, é uma figura pouco valorizada, que carrega um sentido pejorativo, ainda mais como eles são utilizados na maioria das instituições. Acho mesmo que, em algumas delas, existe o sonho de montar uma educação a distância que dispense não só o tutor, como a figura do próprio professor. É a utopia de algumas faculdades: jogar o conteúdo na rede e pronto! A partir dali, o aluno se vira sozinho. E elas economizariam com os salários”, condenou João Mattar, que defendeu a aplicação dos recursos dos games na educação.
“As pessoas falam de game educacional e os alunos gelam de medo, pois a maioria deles é mesmo chato. Mas,os estudantes que recebemos hoje, cada vez mais, jogam, dominam o flash… Então, por qual razão não utilizar alguns desses formatos no material de EAD? Por que não integrar o design dos games ao design instrucional? Dar mais graça à forma do conteúdo? Eu acredito nessa proposta!”, concluiu.

http://ead.folhadirigida.com.br/?p=3267